Quinto e sexto dia
Ainda mexemos na mesma peça. Briguei um pouco para não deixar estes impulsos virem de fora para dentro. E para manter estes “acordares” apenas como apontamentos, leves movimentos. Em determinados instantes pareciam muito protuberantes.
IMPRESSÕES: de dentro pra fora. Como assim? Entendi que vem do centro, que pulsa e tal, mas dizer que “respeito”as vontades da argila ainda me parece presunção.
sábado, 30 de agosto de 2008
Um pulsar invisivel

Quarto dia
Nova peça. Começamos da mesma forma, adicionando pedaços pequenos sobre o cubo de madeira. A meta agora era trazer leves impulsos, um leve acordar. Em linguagem simples e imprópria, galos (aqueles de quando se bate a cabeça) surgiriam. Porém não de maneira aleatória, mas sim de forma natural a partir do centro. Seria algo como se a peça estivesse se expressando por vontade própria. Nosso foco de atenção deveria estar em não permitir com que estes impulsos fossem demasiados.
Uma imagem muito forte surgiu nesta hora. Estes leves movimentos se assemelham demais às ondulações que o bebê faz na barriga da mãe. E ainda, recebemos a orientação de não trazermos impulsos pares, pois desta forma poderíamos cair na forma geométrica. Também para se evitar o três, pelo triângulo. Sete seria demais. Sendo assim, não tive dificuldade em definir o número cinco.
Na medida em que a escultura foi crescendo, comecei a permitir com que a peça se expressasse. Um leve crescer aqui e outro ali.
IMPRESSÕES: ouvir/sentir a peça ainda me parece estranho. Entendo o sentido disto, de verdade. Mas, assim como na faculdade não via azul no branco da embalagem que estava desenhando (por observação), aqui ainda não vivencio isto.
Nova peça. Começamos da mesma forma, adicionando pedaços pequenos sobre o cubo de madeira. A meta agora era trazer leves impulsos, um leve acordar. Em linguagem simples e imprópria, galos (aqueles de quando se bate a cabeça) surgiriam. Porém não de maneira aleatória, mas sim de forma natural a partir do centro. Seria algo como se a peça estivesse se expressando por vontade própria. Nosso foco de atenção deveria estar em não permitir com que estes impulsos fossem demasiados.
Uma imagem muito forte surgiu nesta hora. Estes leves movimentos se assemelham demais às ondulações que o bebê faz na barriga da mãe. E ainda, recebemos a orientação de não trazermos impulsos pares, pois desta forma poderíamos cair na forma geométrica. Também para se evitar o três, pelo triângulo. Sete seria demais. Sendo assim, não tive dificuldade em definir o número cinco.
Na medida em que a escultura foi crescendo, comecei a permitir com que a peça se expressasse. Um leve crescer aqui e outro ali.
IMPRESSÕES: ouvir/sentir a peça ainda me parece estranho. Entendo o sentido disto, de verdade. Mas, assim como na faculdade não via azul no branco da embalagem que estava desenhando (por observação), aqui ainda não vivencio isto.
Movimento X tensão
Terceiro dia
Continuamos a trabalhar na mesma peça, agora com a preocupação de retirar todo e qualquer movimento e trazer tensão.
Ainda me sinto um pouco perdido. Não entendo diversas coisas que a Goudy fala. Esta história de movimento/tensão demorei para entender. Ela usa certos termos que até agora não sei se vem da antroposofia ou da falta de vocabulário. Ela é francesa, nasceu no Afganistão e mais umas coisas que não guardei.
IMPRESSÕES: por mais que esteja bastante empolgado com as aulas, meu lado chato de auto-obsessor me leva a um certo desconforto em não entender e saber fazer o que se pede. Como se pudesse ser diferente...
Continuamos a trabalhar na mesma peça, agora com a preocupação de retirar todo e qualquer movimento e trazer tensão.
Ainda me sinto um pouco perdido. Não entendo diversas coisas que a Goudy fala. Esta história de movimento/tensão demorei para entender. Ela usa certos termos que até agora não sei se vem da antroposofia ou da falta de vocabulário. Ela é francesa, nasceu no Afganistão e mais umas coisas que não guardei.
IMPRESSÕES: por mais que esteja bastante empolgado com as aulas, meu lado chato de auto-obsessor me leva a um certo desconforto em não entender e saber fazer o que se pede. Como se pudesse ser diferente...
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Verticalidade

Segundo dia.
Começamos uma nova escultura com a seguinte proposta: a força de crescimento também viria do centro, porém desta vez com uma leve tendência a verticalidade. A forma seria semelhante ao do ovo.
Na realização da esfera, trabalhamos o tempo todo com a argila nas mãos. A partir de agora deveríamos fazer uma esfera bem pequena e de forma descompromissada, e colocá-la sobre o cubo de madeira (grande ajuda ergonômica para os mais altos). A partir daí começamos a adicionar pedaços de cima para baixo e de baixo para cima com rapidez, utilizando a ponta do dedo indicador. Uma vivência muito interessante, já que, desta forma, pouco tempo se tinha para perder com questões puramente estéticas.
O importante desta etapa era não perder a referência da esfera que fizemos no dia anterior, já que ela deveria “estar dentro” desta nova peça, pulsando e trazendo o crescimento acima descrito.
O que não foi dito no post anterior foi o fato de trabalharmos o tempo todo de pé em frente à bancada. Isso, segundo a Goudy, nos faz mais presentes, ativos diante da argila. Não podemos assumir uma posição de passividade. Melhor seria uma bancada individual, um cavalete que nos possibilitasse andar ao redor. Fiz isso em sala e realmente é diferente. Girar a peça não é a mesma coisa do que girar em torno dela.
IMPRESSÃO: Foi muito calmante a forma como fui adicionando a argila. Eu, muito crítico e preso às questões da aparência, pude sentir no movimento mais gestual, assim como as pincelas dos mestres impressionistas, um ar de libertação.
“O pintor que espera captar um aspecto característico não dispõe de tempo para misturar e combinar suas cores, muito menos para aplicá-las em camadas sobre uma base castanha, como tinham feito os velhos mestres. Ele tem que fixá-las imediatamente na sua tela, em pinceladas rápidas, cuidando menos dos detalhes e mais do efeito geral produzido pelo todo”, dizia Monet, sobre a técnica impressionista.
Começamos uma nova escultura com a seguinte proposta: a força de crescimento também viria do centro, porém desta vez com uma leve tendência a verticalidade. A forma seria semelhante ao do ovo.
Na realização da esfera, trabalhamos o tempo todo com a argila nas mãos. A partir de agora deveríamos fazer uma esfera bem pequena e de forma descompromissada, e colocá-la sobre o cubo de madeira (grande ajuda ergonômica para os mais altos). A partir daí começamos a adicionar pedaços de cima para baixo e de baixo para cima com rapidez, utilizando a ponta do dedo indicador. Uma vivência muito interessante, já que, desta forma, pouco tempo se tinha para perder com questões puramente estéticas.
O importante desta etapa era não perder a referência da esfera que fizemos no dia anterior, já que ela deveria “estar dentro” desta nova peça, pulsando e trazendo o crescimento acima descrito.
O que não foi dito no post anterior foi o fato de trabalharmos o tempo todo de pé em frente à bancada. Isso, segundo a Goudy, nos faz mais presentes, ativos diante da argila. Não podemos assumir uma posição de passividade. Melhor seria uma bancada individual, um cavalete que nos possibilitasse andar ao redor. Fiz isso em sala e realmente é diferente. Girar a peça não é a mesma coisa do que girar em torno dela.
IMPRESSÃO: Foi muito calmante a forma como fui adicionando a argila. Eu, muito crítico e preso às questões da aparência, pude sentir no movimento mais gestual, assim como as pincelas dos mestres impressionistas, um ar de libertação.
“O pintor que espera captar um aspecto característico não dispõe de tempo para misturar e combinar suas cores, muito menos para aplicá-las em camadas sobre uma base castanha, como tinham feito os velhos mestres. Ele tem que fixá-las imediatamente na sua tela, em pinceladas rápidas, cuidando menos dos detalhes e mais do efeito geral produzido pelo todo”, dizia Monet, sobre a técnica impressionista.
No princípio era a esfera
Toda primeira vez é eterna. Lembramos do beijo, do sexo, da viagem. De uma música que, mesmo não sendo de fato a primeira vez que a ouvimos, de tão marcante aquela audição, temos nesta, de fato, como a primeira vez.Foi assim, como a música, que fiz a tarefa proposta como se fosse a primeira vez. A primeira esfera.
Partindo de pequenas porções de argila e sendo moldadas com as pontas dos dedos, fomos construindo com vagar. Dando forma, alisando ou não, ela foi crescendo e aparecendo. Em determinados momentos éramos instruídos a fecharmos os olhos. Abdicar de um sentido em benefício do outro. Olhos pelas mãos. Muito difícil conseguir êxito quando se está inserido em uma sociedade extremamente crítica, “rotuladora” de tudo e todos. Sem falar na formação acadêmica, tão cartesiana.
Esfera é uma bola, sem ondulações/movimentos. A tensão é plena, absoluta. Porém, mesmo que todos nós tenhamos total noção do que vem a ser uma, o que se observou foi uma infinidade de diferenças entre as peça. Basicamente por 3 fatores: peso, leveza e movimento. Umas eram mais achatadas, encostavam mais na superfície que as apoiavam. Outras tinham uma relação de maior harmonia, tendiam mais para a forma proposta. E tinham aquelas mais onduladas, tinham menos calor.
O crescimento da esfera deveria partir de um centro/núcleo. Um constante pulsar traria maior massa à peça. Aqui a relação vertical/horizontal está em total equilíbrio.
Veja como esta força atua na peça na ilustração no final deste post.
IMPRESSÃO: Variadas. Devido ao barulho de um ou outro bater de portas, passos e burburinhos junto à Profa Goudy, foi difícil manter meus olhos fechados e a atenção nas pontas dos dedos. Mesma assim foi uma vivência bastante rica. Curisoso saber que, pela forma, temperatura e resistência* da argila pode-se saber muitas coisas do paciente.
* Deve-se, na lide com o material e na construção de algo, buscar trabalhar de dentro para fora. Sentir os impulsos. Quando se está muito na superfície, de fora para dentro, torna-se perceptível.
Assinar:
Postagens (Atom)