quinta-feira, 28 de agosto de 2008

No princípio era a esfera

Toda primeira vez é eterna. Lembramos do beijo, do sexo, da viagem. De uma música que, mesmo não sendo de fato a primeira vez que a ouvimos, de tão marcante aquela audição, temos nesta, de fato, como a primeira vez.

Foi assim, como a música, que fiz a tarefa proposta como se fosse a primeira vez. A primeira esfera.

Partindo de pequenas porções de argila e sendo moldadas com as pontas dos dedos, fomos construindo com vagar. Dando forma, alisando ou não, ela foi crescendo e aparecendo. Em determinados momentos éramos instruídos a fecharmos os olhos. Abdicar de um sentido em benefício do outro. Olhos pelas mãos. Muito difícil conseguir êxito quando se está inserido em uma sociedade extremamente crítica, “rotuladora” de tudo e todos. Sem falar na formação acadêmica, tão cartesiana.

Esfera é uma bola, sem ondulações/movimentos. A tensão é plena, absoluta. Porém, mesmo que todos nós tenhamos total noção do que vem a ser uma, o que se observou foi uma infinidade de diferenças entre as peça. Basicamente por 3 fatores: peso, leveza e movimento. Umas eram mais achatadas, encostavam mais na superfície que as apoiavam. Outras tinham uma relação de maior harmonia, tendiam mais para a forma proposta. E tinham aquelas mais onduladas, tinham menos calor.

O crescimento da esfera deveria partir de um centro/núcleo. Um constante pulsar traria maior massa à peça. Aqui a relação vertical/horizontal está em total equilíbrio.

Veja como esta força atua na peça na ilustração no final deste post.

IMPRESSÃO: Variadas. Devido ao barulho de um ou outro bater de portas, passos e burburinhos junto à Profa Goudy, foi difícil manter meus olhos fechados e a atenção nas pontas dos dedos. Mesma assim foi uma vivência bastante rica. Curisoso saber que, pela forma, temperatura e resistência* da argila pode-se saber muitas coisas do paciente.

* Deve-se, na lide com o material e na construção de algo, buscar trabalhar de dentro para fora. Sentir os impulsos. Quando se está muito na superfície, de fora para dentro, torna-se perceptível.

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