quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Feel the pain

Décimo primeiro dia

Fizemos uma esfera muita rapidamente. O tamanho ficou em torno de 15 cm, mais ou menos, sendo preciso ficar um pouco maior do que nossas mãos em conchas.

O vivência proposta agora consistia em forças externas agindo sobre o centro, amassando, pressionando.

De braços estendidos, pressionamos a esfera com as mãos espalmadas, tendo atenção para que ambas estivesses de lados opostos e mirando o centro. Repetimos isso várias vezes e, poucos segundo depois, a forma deixou de ser uma esfera para se tornar algo próximo a um quadrado, porém de lados nem sempre de medidas iguais.

Foi incrível notar a dor dentro dos braços, dos músculos e ossos. Um leve formigamento foi sentido em ambos os braços e peitoral, seguido de uma dormência chata que só veio comprovar meu atual sedentarismo. Porém não acredito que os mais exercitados não teriam semelhantes sensações, uma vez que não se tratava de um simples exercício de forma, mas de levar às partes envolvidas a real noção de esmagamento, de encolhimento.

Depois, com os dedos, começamos a ajustar as formas criadas. Mais uma vez não gostei do resultado. Tive que refazer, pois não tinha entendido exatamente o que fazer.

Logo em seguida começamos mais uma etapa. No cubo de madeira, fomos adicionando pedaços pequenos, desta vez com a intenção de sempre oferecer uma pressão oposta. Enquanto um dedo adicionava massa na esquerda, a outra mão pressionava pela direita, ambas em direção ao centro. A força não deveria ser grande a ponto de furar a argila, apenas de uma forma com que a massa fosse sendo “compactada” às demais.

Mais uma vez foi muito difícil não olhar para os lados. Vi o que a Cinthia estava fazendo e fiquei com a impressão de que estava muito parecido com o que ela fez no passo anterior (expansão/ovo). Ora, expansão e contração não poderiam resultar em formas tão semelhantes, pensei. Depois de ambas as peças estarem sobre a mesa para que analisássemos e chegássemos a uma conclusão, viu-se que, de fato, estavam diferentes. Em relação à forma, apenas um pouco. O passo anterior estava levemente mais arredondado, mas ambos do mesmo tamanho. O que estava diferente pôde ser percebido através do toque, de olhos fechados. Dizer que “vi” esta diferença seria pouco honesto. Realmente não vi com clareza, mas depois, quando fui embora e me afastei um pouco de tudo, pude recordar o contato que minhas mãos buscaram, deixei- me levar sem nenhum pré-julgamento e, a muito custo, me entreguei. À que exatamente eu não sei, mas me entreguei. Talvez um pouco à visão de muitos na sala, talvez à total cegueira a que por vezes me sinto mergulhado.

IMPRESSÃO: Todo o processo foi muito gostoso. Fui adicionando argila com calma, fazendo força com a parte interna dos dedos (onde as falanges se reconhecem), tanto que, ao final, senti uma pequena dor.

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